O tempo é cruel. Se a gente quer, ele passa. Se a gente não quer, ele não dá a mínima e vai marcando em nós cada segundo que o relógio do universo tique-taqueia.
As marcas ficam no espírito, na alma, no físico.
Queiramos ou não, admitamos ou não.
Este blogueiro é um velho de sessenta e sete anos. De um modo geral, muito bem vividos.
Mas que tem espelho em casa.
E o espelho é amigo do tempo: formam uma dupla muito afinada nas maldades de nos azucrinar.
Justamente por ver tantas pessoas que, ou nunca tiveram relógio ou ainda não conhecem o espelho , resolvi espernear contra essa negação do inevitável.
Somos velhos e pronto. Não tem plástica, tipo de maquiagem, roupa, moda, etc. que trave a roda do tempo. Gira, gira, sem nenhuma pressa.
E nos leva junto.
Se a coisa não tem solução, solucionada está.
A velhice nos alcançou e não tem escapatória: a melhor idade ficou lá atrás.
No tempo em que a pele era lisa, os músculos fortes, a dentição original e completa e as doenças não nos preocupavam. Tempo onde o que não tínhamos conseguido hoje, poderíamos conseguir amanhã, depois de amanhã, no próximo mês, no ano seguinte, nas próximas décadas. Tempo onde as meninas e mulheres bonitas olhavam para nós e não era pelo dinheiro, em que os homens olhavam para as meninas, mesmo as mais inatingíveis, felizes na ilusão de que um dia a fortaleza haveria de cair. Tínhamos tempo.
Melhor idade é ter toda uma vida ou maior parte dela à nossa disposição.
Melhor idade é ter tudo o que nos falta agora e a juventude tem ao seu inteiro dispor, ainda que nem seja consciente disso.
São irresponsáveis, infantis, inconsequentes, na maioria, isso são. Mas são felizes, sonhadores, cheios de energia, força, vitalidade e idealismo, também.
Se não têm a nossa experiência, sobra-lhes tempo para errar e aprender.
E isso nos falta. O tempo nos é curto.
Fica sempre escondido, rindo de nós, pobres mortais, fugindo do grande e temido dia.
Mas, então, este blog é para esculachar o pessoal da geriatria? Desvalorizar o idoso?
Não, muito antes pelo contrário. Queremos ajudar outros velhos a serem velhos felizes, que é o que importa.
Só que não seremos felizes negando o óbvio. Não seremos velhos que curtem a vida e o vivido, se negarmos o que passou e o que somos.
Acho essa história de melhor idade um negação simplória da realidade e uma barreira à conquista dum envelhecimento digno, valorizado e feliz.
O escrevinhador aqui fez 36 maratonas de 42 km, a última aos 61 anos. De lá para cá foi um tal de lesão aqui, gripe acolá e outros imprevistos, que não deu mais para encarar esse tipo de prova. Lá se foram seis anos de envelhecimento, desgaste natural das peças, a maioria de impossível reposição.
Conclusão: acredito que estou aposentado como maratonista. Mas continuo fazendo meus treinos de 12, 14 km a cada dois dias. Isso é aceitar a realidade. Não há como correr uma maratona todos os anos, pelos séculos e seculórios. Um dia a DNA nos pega. Data de Nascimento Antiga. Nem por isso fico chorando pelos cantos porque não consigo mais correr os 42 km.
A velhice chegou e o jeito é conviver civilizadamente com ela. É a nossa fiel companheira, como num casamento da antiga, até que a morte nos separe.
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" diz a Bíblia.
A libertação para uma velhice feliz, passa, obrigatoriamente, pelo ritual da troca de roupa: temos que nos livrar daquela que nos aperta, nos sufoca, nos machuca, para vestirmos a roupa da realidade, mais folgada, menos chamativa, mas que nos permita movimentos mais confortáveis.
Quando passar pelo espelho, e um velho ou velha olhar para você do outro lado, não saia correndo. Não adianta. O velho irá atrás.
Lembre-se de que você é um felizardo que recebeu um prêmio negado a muitos.
A pior idade nos permite escolher a prioridade.
Ser feliz ou não.
E a feliz idade só será conseguida com a veraz idade!
E por hoje mais não digo porque não sei.
Aqui uma foto de minha melhor idade. Realmente, infância muito feliz.

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