Como é sabido, este
blogueiro não é médico, desses formados
em faculdades de medicina. Mas, como de médico e de louco todo o mundo
tem um pouco, vou meter a colher torta nesse angu e dar uns palpites, se não
técnicos e autorizados cientificamente, pelo menos resultado da experiência da
idade sex e de um raciocínio mais ou menos lógico.
A gente ainda não nasceu e já está em movimento. Esse
movimento começa na correria dos espermatozóides para ver quem chega primeiro
ao óvulo que espera fecundação. Ocorrendo a dita, o movimento da futura mãe em
suas atividades, o agitar constante dos órgãos internos, tudo é ação. Não se
fica parado um único instante. O próprio crescimento do feto é atividade.
Passam-se os nove meses e a nova criaturinha faz uma baita
força para nascer e chega fazendo um alarido, esperneando, agitando bracinhos,
enfim ...
Claro que inicialmente o maior movimento é chorar e abrir a
boca procurando o seio materno. Ação em busca de alimento.
Vai crescendo, engatinha, isso instintivamente. Aí chegam os
“adultos” e teimam em botar o sujeitinho de pé. E tanto insistem, que
conseguem. E chegamos ao tal de “homo erectus” e sua quase que infalível problemática
com a coluna. Claro, se o instinto nos leva a andar de quatro, mas a evolução
nos obriga a andar de dois, toda a parte superior do corpo, a mais pesada,
apóia-se na coluna lombar. E 80% dos problemas são nessa área, porque
as vértebras e discos que inicialmente eram para sofrer esforço de tração,
separando os discos, agora sofrem esforço de compressão, sobrecarregando essa
parte da coluna.
É um parêntese bem humorado, mas que, se pararmos para
pensar, até que tem um certo fundamento. Pelo menos par encher linguiça nesse
escrevinhamento ...
De quatro ou de dois, na vida natural, temos que sair na
busca de alimentos. E isso inclui praticamente o esforço principal de nossa
existenciazinha por este planeta. Claro que há também o delicioso movimento em
busca da preservação da espécie, talvez o mais importante e essencial.
Vem a vida moderna e nos obriga a ficar sentados, horas e
horas à frente duma tela, fazendo coisas úteis e indispensáveis ou
escrevinhando sobre coisas, digamos, nem tão importantes.
Vamos deixando de movimentar-nos a cada dia que passa. É um
tal de automatiza isso e aquilo, que agora nem se usa mais chave para abrir um
carro. Ele é que olha para a gente e abre as portas.
Pararam para pensar na besteira que a humanidade está
fazendo? Girar uma chave é coisa muito desgastante. Apertar um botão no próprio
aparelho de TV, exige que a pessoa se levante, faça um movimento, estimule a
circulação. Ora, isso é até um pecado em nossa sociedade consumista e
acomodada.
Passam-se os anos e, é claro, começamos a sentir os efeitos dessa
passagem. Movimentos e esforços que nos eram automáticos e imperceptíveis, de
repente, passam a ser cuidadosamente estudados e percebidos exponencialmente.
Duma hora para outra músculos e ossos que nem sabíamos que existiam,
revoltam-se e dizem: estamos aqui.
Começa a famosa fase condor ...
Com dor
aqui, com dor ali ...
Mas
o pior de tudo é que a geriatria, em grande parte dos casos, se acomoda.
- Ah,
estou velho. Isso já não é mais para mim.
Claro
que não podemos fazer as mesmas coisas que fazíamos na juventude. A mente até
quer, e como quer fazer, mas o corpo rebela-se.
Esse
rebelar-se do físico até é saudável, pois evita que cometamos excessos danosos.
Mas evitar excessos não é colar a bunda numa poltrona e passar o dia inteiro
vendo porcarias na TV.
Não
é por estarmos na terceira e pior
idade que devamos ficar na inativa idade ...
Vida
é movimento!
E
nós, seres humanos, animais bípedes (embora existam muitos quadrúpedes ...)
fomos feitos para o movimento.
O
que temos como base para sustentação do
corpo?
Pés.
Não raízes.
Simples
assim. Se fosse para ficarmos parados, seríamos como as árvores e demais plantas.
E
nenhum manual de fabricante diz que o animal, dito racional, deva deixar o uso
de seus pés após os sessenta anos.
Não
esqueçam: a vida é ação.
Inatividade
é lucro para as funerárias.
Há
tempos, em minhas andanças, conheci um senhor de 94 anos, saudável e lúcido
como poucos. Não resisti e fiz a pergunta:
-
Qual é o segredo para chegar aos 94 tão bem quanto o senhor?
-
Trabalho, atividade. Se tu chegares aqui pela manhã, em horário não muito quente,
tu me verás empoleirado num reboque de trator indo para a lavoura ajudar a
buscar milho ou fazer qualquer outra coisa. Claro que não fico o dia inteiro,
nem consigo jogar a mesma quantidade de espigas para dentro do reboque como
antigamente, mas isso não importa. O que importa é trabalhar. Mesmo que meus
filhos façam, cada um, três vezes mais do que eu, isso não interessa: o que
vale é fazer alguma coisa.
Não
é por nada que chegou a esta idade com saúde.
Está
ciente das limitações, as aceita, mas não fica parado, que nem água de poço.
Esse
blog pode não ser o mais científico, o mais autorizado, o que tenha sido
resultado de anos e anos de pesquisas, mas é um blog onde as escrevinhações são
de um velho que não entrega a rapadura.
E o
segredo de uma terceira e pior idade feliz talvez seja esse, como a daquele
senhor de 94 anos, agora devendo estar com seus 96: não entregar a rapadura e
ter uma atividade.
Lembre-se:
ficar parado é para as árvores.
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